domingo, 19 de abril de 2009

Frango ao molho de ostras

A Ana e o Álcio reclamam da minha demora no supermercado. O marido, companhia mais frequente que a irmã, quase me enlouquece passando direto por prateleiras repletas de temperos, queijos frescos e geleias: quero ver só uma coisinha, repito ansiosa a cada parada não planejada.

Uma técnica na hora de pensar a lista de compras me proporciona alguns minutos a mais: escrevo frutas e legumes. Mantendo o mistério, posso parar para escolher os mais bonitos e optar entre cenouras ou beringelas, funcho ou alho-poró... é ali que vou juntando os melhores ingredientes e pensando a receita. Parece pouco para ti? Bem, sei que pode impacientar alguns, mas preciso te lembrar que isso é parte de um importante ritual.


O molho de ostra (sabor ostra - sejamos justos) foi achado ali mesmo, naquelas prateleiras que costumam ser desprezadas a despeitos dos tesouros que guardam. Ele foi o toque final, responsável pela cara de festa ao frango acebolado sem graça nenhuma.

Piquei uma cebola em pedaços médios e a fritei por alguns segundos na wok em óleo de canola bem quente. Em seguida, despejei os três filés de frango cortados em quadrados e deixei refogar até estar bem cozido. No final do preparo, acrescentei cerca de uma xícara de chá do molho e deixei apurar. Assim como o shoyo, ele é bem salgado e dispensa o sal.



Nesse meio tempo, assei cogumelos do tipo ostra (não resisti à poesia de combiná-los com o molho). Limpos, cortados em pedaços e levemente salgados, ficaram no forno por cerca de 15 minutos numa forma untada com azeite.

Servi num prato fundo: primeiro o frango, seguido pelos cogumelos e por um generosa porção de salsa e cebolinha picada. Acompanhou arroz, é claro.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Noz-moscada e macarrão

Tá enjoado da massinha na manteiga? Esta aqui é uma variação perfeita para acompanhar um bifinho ou um frango assado no forno.


Cozinhe a massa em água salgada, com folhas de louro e uns cinco ou seis dentes de alhos descascados e inteiros. Quando estiver al dente, escorra, despeje algumas colheradas de azeite de oliva de primeira e rale por cima uma bela porção de noz-moscada.

Tá pronto.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Torta folhada de fígado de galinha

Sei que muita gente torce o nariz, mas fígado preenche o meu imaginário de comida de vó. Sabe aquele alimento cheio de substância, feito especialmente para ti aos seis anos de idade, meio ranhenta e muito magrinha? Sim, benditas as avós que sempre nos acham magrinhas.


Apresentei esta tortinha toda orgulhosa aos guris, me sentindo uma matrona nutridora. Para prepará-la, piquei um talo de alho-poró em anéis e refoguei com azeite, sal e pimenta do reino. Depois de bem macio, acrescentei o figado de galinha cortado em pedaços e deixei cozinhar, mexendo de vez em quando, até ficar bem seco. Despejei, então, um copo tipo americano de cerveja e uma colher de sopa de alecrim e deixei ferver e ferver e ferver, até toda a mistura virar um grosso e pedaçudo patê de fígado - se for preciso, coloque mais um pouco de agua.

Nesse meio tempo, abri com um rolo de macarrão um pacote de massa filo amanteigada e previamente descongelada (não se intimide, basta seguir as instruções da embalagem). Coloquei 1/3 da massa na base e laterais de uma assadeira, larguei o recheio e cobri com mais 1/3, deixando um toque irregular na cobertura, só para dar charme. Pincelei com uma gema de ovo e coloquei no forno até ficar douradinho.

Comemos com salada.

domingo, 5 de abril de 2009

Aspargos verdes com legumes

Eu preparei estes legumes como acompanhamento para alguma coisa da qual não lembro mais. Fiz um enorme esforço, dei três pulinhos, pedi para o santo e não teve jeito. A memória continuou lá, como que de portas fechadas para mim.

Meu consolo é que o blackout se explica de alguma maneira. A guarnição estava tão gostosa, tão perfeita e tão bonita que nem dei bola para o prato principal. Para todos os efeitos, comemos batatas tenras, cenouras doces e aspargos verdes assados no ponto.


O prato começa a ser preparado ainda no mercado: sei que são tentadoras, mas fuja das cenouras grandonas e belíssimas à venda por aí. Escolha as menores, orgânicas se possível, e você vai sentir a diferença estratosférica no sabor.

De volta para a cozinha, coloque quatro ou cinco batatas bem lavadas na panela, junte a mesma quantidade de cenouras, cubra com água, coloque um cubo de caldo de legumes e três folhas de louro. Deixe cozinhar, escorra, jogue na água fria, descasque e corte em pedaços: metades para as cenouras, quatro partes para as batatas.

Prepare agora os aspargos eliminando a parte branca inferior. Não tem erro, ela é fibrosa e tem cerca de dois centímetros. Corte e está pronto. Lambuze-os com azeite de oliva e coloque-os numa assadeira, salpique sal e pimenta. Junte as cenouras e as batatas, regue com mais um pouco de azeite, pimenta do reino moída na hora e umas três colheres de sopa de tomilho fresco. Asse no forno por 10 minutos. Sim, isso é tudo que aspargo precisa para ficar deliciosamente pronto.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Suflê de chocolate

O frio já está começando a dar as caras por aqui. Mesmo tímido, foi o suficiente para me fazer lembrar desta sobremesa que tem tudo a ver com outono. Deliciosa, ela faz de conta que é complicada só para nos encher de orgulho. Aproveite e minta, diga que ralou horas para prepará-la, exija beijo na mão, tapete vermelho e lágrimas nos olhos de cada um dos convivas. Acredite, eles vão retribuir.



Para prepará-la, derreta em banho maria ou no microondas uma barra de chocolate meio amargo e um terço de uma barra de chocolate ao leite. Deixe esfriar um pouco, mas sem endurecer.

Bata três gemas de ovos com seis colheres de açúcar. Assim que espumar, acrescente uma xícara de creme de leite fresco e bata mais um pouco. Misture o chololate derretido, três colheres de sopa de farinha e, por último, misture três claras batidas em neve.

Disponha a massa em ramequins untados com manteiga. Para que o suflê cresça melhor e mais bonito, passe uma faca nas laterais da forma antes de colocá-lo no forno. Asse por 20 a 30 minutos (faça o teste do palito: ele deverá sair úmido, com alguma resistência).

Está pronto. Coma logo antes que murche!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Filezinhos de porco com alho e alecrim

Estou numa fase home cook meal. Sempre que posso, prefiro arroz, feijão, carne, legumes e salada. Deliciosos, mas, cá entre nós, pouco postáveis e nem sempre fotogênicos. As carnes, tenho preferido fazê-las na panela de pressão, o que tem me rendido muito sabor e pouco trabalho.

Foi o que aconteceu com estes filezinhos de porco, cortados em escalopes ligeiramente grossos, temperados com um pouquinho de sal e pimenta e selados com óleo de canola. Missão cumprida, joguei na panela meia cabeça de alho picado e sem pele, uma colher de sopa de colorau e outra de alecrim.


Depois de tudo levemente tostado, despejei três cálices de vinho branco, tampei e deixer cozinhar por cerca de 40 minutos com cuidado para não secar demais. Se achares necessário, coloque ainda um pouco de água. O caldo ficou grosso e aromático. Se isto lhe preocupa, já me adianto em dizer que não ficou com gosto acentuado de alho.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Torta fria de atum

Alguns já chamam de vintage food, outros, mais práticos, dizem que é comida brega mesmo. Eu confesso que fico totalmente alheia à discussão e prefiro chamá-la de gostosura. Sim, estou falando da torta fria. Popularíssima nos anos 80, era prato obrigatório em festas de aniversário, ceias de família e faustos almoços de domingo.


Tão boa quanto simples, ela exige do cozinheiro habilidades similares ao da preparação de um sanduíche. Comece escolhendo um bom pão especial para torta fria. Eles estão à disposição na maioria dos supermercados e são cortados na horizontal, ao contrário do tradicional, para sanduíche. Se não encontrares, compre um pão retangular inteiro, tire a casca e faça você mesmo os cortes longitudinais.

Faço com bastante frequência esta versão de atum, porque abrir a latinha é bem mais fácil que cozinhar e desfiar um frango. O prato, naturalmente, ainda permite dezenas de variações: com frios, legumes, picles e o que couber na sua imaginação e paladar.

Começo picando finamente uma cebola branca e deixando-a de molho no suco de um limão por 15 minutos. Ele se encarregará de tirar parte do ardido. Despejo duas latas de atum ralado com molho de tomate (já experimentei com várias versões de atum e esta foi a melhor), uma lata de milho e outra de ervilha, além de duas xícaras de maionese. Às vezes também incluo um pouco de salsinha picada.


Misturo bem e monto: uma fatia de pão, uma camada generosa de recheio. Repito a operação sucessivamente e depois cubro tudo com mais uma porção de maionese. Dessa vez, enfeitei rapidamente com metades de tomate cereja. Todos elogiaram e repetiram tanto que até faltou!