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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Bolo delícia de chocolate

Semana passada o marido comemorou a passagem de mais um aninho. Generoso que é, permitiu-me enlouquecer no cardápio sem fazer quaisquer interferências. Em troca, pediu só um bolo de chocolate com cobertura: "nada de ganache, nada de morangos, nada de merengue. Por favor, eu só quero chocolate com cobertura de negrinho", implorou. Dá para recusar?

Fiz o bolo com o que acredito ser a melhor proporção de ingredientes para deixar a massa com o interior macio e as bordas crocantes. Comecei com uma xícara de manteiga mole batida com a mesma medida de açúcar. Assim que incorporou, acrescentei dois ovos, um de cada vez, sem parar de bater. Logo que a mistura foi ficando fofa, despejei meia xícara de creme de leite fresco e três colheres de sopa de leite.


Depois de misturado, desliguei a batedeira e acrescentei uma xícara de farinha de trigo peneirada, uma colher de sobremesa de fermento químico e uma colher de chá de bicarbonato de sódio. Por último, 3/4 de xícara de chocolate em pó sem açúcar. Se fores fazer este bolo, não perca seu tempo com achocolatados.

Bati mais um pouco e coloquei a massa numa forma untada e enfarinhada por cerca de 40 minutos no forno moderado e usei o truque do palito antes de desligar o forno. Gosto de assar bolo em calor brando para que ele cresça igualmente por todos os lados.

A cobertura foi feita com duas latas de leite condensado, a mesma medida de leite (usei semidesnatado), duas colheres bem generosas de manteiga e meia xícara de chocolate em pó. Cozinhei em fogo baixo mexendo sempre com um fouet por cerca de 20 minutos, até ficar no ponto de cobertura. Obs: quando sentires que o braço está praticamente descolado do ombro, ainda falta um pouco para ficar pronto. Sim, sei que é cansativo, mas tenha fé que vale a pena.

Espere a cobertura esfriar um tanto e cubra o bolo com porções generosas. Usei um bico para decorar e foi um sucesso.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Victoria sponge à minha maneira

A receita saiu direto do livro How to be a domestic goddess da Nigella, mas eu insisto em dizer que é o bolo da rainha...

A massa veio atender meu desejo de fazer um pão-de-ló perfeito. Já havia tentado algumas receitas e posso até dizer que todas deram certo: algumas eram boas, outras realmente ótimas, mas nenhuma era exatamente o que eu esperava. Bem, tudo mudou com ele.

Na primeira vez, usamos medidas normais (uma xícara, colheres rasas etc), o bolo ficou fantástico, mas pequeno. Mais tarde lembrei que tínhamos que usar as medidas tamanho Nigella e a xícara virou uma tigelinha - Uh, lá, lá.


Na bacia da batedeira, coloquei a xicrona de manteiga amolecida (não se assuste, mas chegou perto de 200g) e bati com a mesma medida de açúcar até formar um creme claro: usei açúcar de baunilha preparado em casa e não coloquei o extrato solicitado na receita original.

Separei uma xícara (leia sempre tigelinha, ok?) e 1/3 de farinha de trigo e duas colheres de chá de fermento químico bem misturadinhos. Na massa de manteiga e açúcar, coloquei cinco ovos, um de cada vez. A cada adição, acrescentei uma colher de sopa de farinha e bati mais um tantinho a mistura. Concluído o processo, coloquei o restante da farinha, duas colheres de sopa de maizena e três colheres de sopa de leite, só para amaciar um pouco.

O bolo da rainha pede muitas berries que recheiam o pão-de-ló em formato de torta. Mas resolvi atender minha minha rebeldia e assei a mistura por cerca de 30 minutos numa forma de anel redonda, muito bem untada e enfarinhada. Para enfeitar o miolo, bati uma xícara de creme de leite fresco com três colheres rasas de açúcar de confeiteiro até o ponto de chantilly. Misturei com amoras frescas e servi geladinho.

No dia seguinte fica ainda melhor.

Em tempo: para ter sempre açúcar de baunilha em casa, coloque uma ou duas favas (podem ser encontradas em delicatesses) num pote bem fechado com um quilo de açúcar e deixe alguns dias para aromatizar. Vá repondo o açúcar na medida em que você o utiliza.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Bolo-mousse de tangerina

Enquanto a saboreava, pensava: será um bolo? será uma mousse? Como não estava a fim de controvérsia (ainda mais comigo mesma), apelidei esta sobremesa de bolo-mousse de tangerina.


Inacreditavelmente gostosa, ela exige seis tangerinas daquelas bem azedinhas. Descasque três delas, tire toda a pele, os fiapos brancos (que deixam um gosto amargo depois de cozido) e os caroços. Bata-as no liquidificador e acrescente três gemas de ovos, uma xícara de açúcar, uma colher de sobremesa com fermento químico, uma xícara rasa de farinha (quer precisão? calcule 7/8) e 80 gramas de manteiga.

Bata três claras em neve e, na mesma bacia, misture-as cuidadosamente com o conteúdo acima. Unte uma forma baixa (aqui embaixo tem a foto de uma versão nos meus novíssimos ramequins que ficaram igualmente deliciosas) e coloque para assar no forno médio por uns 40 minutos. A massa deve ficar levemente molhadinha: queremos um palito úmido no final.


Enquanto o bolo-mousse está assando, pegue as três tangerinas que sobraram, descasque e coloque tudo no liquidificador. Dessa vez, não precisa cuidados especiais. Penere todo o bagaço (fiapos e coroços) e guarde apenas o suco.

Numa caneca, misture o suco com meia xícara de açúcar e esquente em fogo baixo até formar uma calda. Não deixe ferver. Despeje esta calda sobre o bolo já assado, mas ainda quente e enformado. Deixe-o absorver todo o líquido. Se achar que está demorando muito, faça furinhos com um garfo para ajudar. Desenforme depois. Coma quente ou gelado.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Pineapple sponge cake

Este bolo entra na categoria comidinhas de quitanda com nomes importados. Sim, não se impressione com a titulação, é só um bolo de abacaxi. Mas, cá entre nós, que abacaxi...


Para prepará-lo, é preciso untar uma forma redonda com bastante manteiga, descascar e cortar a fruta bem docinha em fatias. Use-as para cobrir o fundo da forma e deixe esperando num canto.

Numa vasilha, bata três gemas com uma xícara de açúcar. Assim que a mistura ficar cremosa, coloque cerca de 80g de manteiga em temperatura ambiente. Depois de bater um pouco, despeje mais uma xícara de suco concentrado de abacaxi, a mesma medida bem cheia de farinha de trigo (deixe um morrinho, sabe?) e uma colher de chá de fermento químico.

As três claras que sobraram são batidas até o ponto de neve e depois misturadas à massa preparada no parágrafo anterior. Asse em formo moderado por cerca de quarenta minutos até o palito sair seco.

Enquanto isso, despeje numa panela uma lata de leite condensado, a mesma medida de suco concentrado de abacaxi e duas colheres de manteiga. Cozinhe em fogo baixo, mexendo sem parar (recomendo usar um fouet). Ela estará no ponto 10 a 15 minutos depois de começar a ferver (é um ponto de cobertura, não muito duro, nem mole demais).

Use uma faca de pão para dividir ao meio o bolo já frio (eles quebram com facilidade quando estão quentes) e recheie com o leite condensado. Cubra com a metade do bolo que tem os abacaxis.

domingo, 7 de setembro de 2008

Torta alla gianduia

Encontrei uma aliada no meu objetivo de me transformar numa rainha do lar. Ganhei dos guris (segundas intenções?) o livro How to be a domestic goddess, da Nigella Lawson. Receitas de bolos, pães, massas e sobremesas capazes de fazer o faquir mais disciplinado soluçar no cantinho da cozinha...

O capítulo Chocolate, naturalmente, foi o primeiro a ser lido e relido com voracidade. O Frederico sentou-se ao meu lado e escolheu a receita a ser preparada. Acertou em cheio: a torta é linda, molhadinha, quase uma mousse. É fácil de fazer, mas cobra o seu preço na maior relação caloria/grama da história da gastronomia. Ainda assim, vale cada garfadinha.


Não se assuste, mas você vai precisar de 400g ou 1 copo e meio de Nutella (aquele creme de chocolate com avelã que comíamos escondido de nossas mães), 1/2 copo de manteiga sem sal na temperatura ambiente, seis gemas grandes, 50g de chocolate meio amargo derretido e uma pitada de licor de chocolate. Bata tudo numa batedeira.

Numa outra tigela, bata seis claras em neve e misture gentilmente no creme de chocolate. Despeje a massa numa forma untada com manteiga na lateral e papel encerado no fundo e leve ao forno baixo por cerca de 40 minutos. Espere esfriar um pouco para desenformar.

Nesse meio tempo, duas xícaras de avelãs inteiras (comprei descascadas) precisam ser assadas no forno por alguns minutos, sempre abrindo e sacudindo a assadeira para não queimar. Depois, esfregue aos punhados na palma da mão para tirar a pele. O processo é chato e demorado e só não me levou à loucura porque a torta era uma encomenda do meu filho.

A cobertura é feita com cerca de 50g de chocolate meio amargo derretido, 1/2 copo de creme de leite e uma lambidinha, digamos assim, de licor de chocolate. Misture tudo e espalhe sobre o bolo. Com a mistura ainda quente, despeje as avelãs por cima.


Bom proveito!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Simple chocolate muffins

Estes muffins foram o resultado de mais uma incursão com as minhas forminhas de cup cakes ainda relativamente novas. Como adoro esse formato, eu as tenho usado para assar praticamente tudo, nem sempre adequando o uso com muita propriedade. Mas não posso falar isso destes muffins de chocolate, pois são eles que dão sentido à existência das pequenas fôrmas.


Não posso ser classificada como chocólatra. Sou, digamos assim, uma apreciadora contumaz. Defendo a tese de que chocolate é bom com mais chocolate. Seguindo esta lógica, abomino misturinhas com frutas, cremes ou quaisquer coisas (mesmo que deliciosas em outras circunstâncias) que não se enquadrem neste perfil.

Meus muffins são assim e foram preparados com 3 ovos batidos, onde acresci 3/4 de xícara de açúcar, duas de nata e ainda três colheres de manteiga. Depois de bater bem, despejei uma barra (daquelas de 200g) de chocolate ao leite e 2/3 de chocolate meio amargo bem derretidas e homogêneas. Nessa massa, acrescentei uma xícara e meia de farinha e duas colheres de fermento químico.


Distribuí o conteúdo nas forminhas com papelotes e assei até o palito sair seco. Por fora, uma casquinha ligeiramente crocante. Por dentro, maciez, umidade e um sabor de chocolate que derrete na boca. Nós três comemos toda a fornada em poucos minutos. Sucesso total!

sábado, 19 de julho de 2008

Supremo de Bananas

Hoje acordei com vontade de ter um Supremo. Pensei com meus botões "que maravilhoso País é este, que permite a qualquer cidadão de boa vontade ter um desses só pra si". Achei que devia homenageá-lo - o País - com um Supremo de bananas. Claro, idéia fantástica, afinal nós temos bananas...

Abri meus velhotes livros atrás da receita rasgada. O nome do prato era outro, mas como eu queria mesmo um Supremo, roubei a idéia de um habeas culinarius e mudei o seu nome. O argumento é cristalino e irrefutável, acrescentei alguns dos mais utilizados ingredientes da tradição tupiniquim: o jeitinho e a cara-de-pau.


Você entende. O livro pedia que eu batesse quatro bananas amassadas, uma gema, três colheres de óleo, 1/2 xícara de açúcar e a mesma medida de iogurte. Como eu não tinha iogurte, dei um jeitinho (ahá) e misturei algumas colheres de nata com outras de leite. Ficou estranho, mas tudo bem, eu não ia servi-lo no banquete da Polícia Federal mesmo.

Já estava no meio do caminho, quando percebi que não tinha óleo. Para substitui-lo, coloquei mais um pouquinho de nata. A farinha, bem, aquela xícara de farinha deveria ter sido peneirada. Mas já que ninguém faz isso, porque eu deveria? Joguei tudo na tigela. Junto, foram as três claras que precisavam ser batidas em neve, mas não foram. Bem, quem iria descobrir, não é mesmo?

Depois de pronta a mistura, fiz uma farofinha doce misturando açúcar, margarina (bobagem usar manteiga) e farinha. Coloquei tudo em forminhas que não foram untadas. Usei aquelas de papel mesmo. Depois, quando comer, eu dou um jeito de desgrudar...

Ah, não pense que eu me descuidei com o acabamento. A farofa foi cuidadosamente despejada sobre cada um dos supremos. Os bananas, digo, as frutas, foram fatiadas e dispostas felizes sobre cada um dos quitutes. Finalmente, para manter a tradição e homenagear os veneráveis, foi preciso comer tudo sozinha.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Bolo de queijo com doce de leite

Se você é um dos três leitores atentos deste blog, é possível que tenha se perguntado (hahaha) o que foi que eu fiz com o meio pote de iogurte que sobrou depois de fazer o nhoque ao pesto abaixo. Respondo: usei-o para preparar este fantástico, maravilhoso, insofismável bolo de queijo que deu muito certo.


Foi minha primeira vez. Enquanto o fazia, imaginei que o comeria sozinha, pois jamais esperava qualquer repercusssão doméstica sobre a receita. A verdade é que os meninos o devoraram com rapidez olímpica. Naturalmente que não os deixei sozinhos na tarefa.

O bolo foi preparado com dois ovos batidos, três generosas colheres de manteiga e uma tigela pequena de açúcar. Acrescentei a mesma porção de farinha e um pote e meio de iogurte batido com cerca de 100 gramas de queijo de minas. Coloquei ainda uma colher de sobremesa de fermento químico, despejei a mistura numa forma untada e enfarinhada e assei até o palito sair seco.

Nós comemos com doce de leite. Sou obrigada a confessar que apesar de delicioso, ele fez pouca diferença no resultado final. Espero que você não se sinta enganado, mas só o citei por aqui para aumentar o número de acessos.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Um tratado sobre o bolo

Posso dizer com segurança que enquanto minha mãe foi viva, nunca comi um bolo fora de casa. Bem, da casa dela, pelo menos. Cresci e vivi boa parte da minha vida cercada por duas boleiras fantásticas: minha mãe e minha irmã. Fazer um bolo à altura daqueles, me parecia tarefa impossível. Comê-los de outra fonte, um desperdício de calorias... Fui fazer minha primeira tentativa depois dos trinta anos e, pasmem, ficou ótimo. Descobri que tinha herdado um pedacinho daquele talento todo. Bem, eu podia ser uma mulher bom bril há muito tempo, mas confesso que só me senti uma matrona completa depois de fazer um bolo perfeito.
Esse é um mesclado que fez sucesso com os amigos do Fre:


Gosto de fazer bolo com manteiga. Sou obrigada a dizer que não sei diferenciá-lo de um bolo feito com óleo, mas eu me sinto mais entendida fazendo assim. O bolo é meu, então eu faço.
Mais recentemente decobri com a Nigella que, ao invés de leite, eu poderia colocar creme de leite na massa. Fiz e, dessa vez, a diferença no resultado foi óbvia: urrei, achei que tinha feito a melhor descoberta desde o purê de batatas. Comi, repeti, obriguei a família a comer, a repetir, a elogiar, a elogiar de novo. Segunda, no trabalho, contei minha façanha para os colegas que (ofensa mortal!), acharam minha mais perfeita iguaria muito gorda! Tentei argumentar dizendo que não existe meio pecado. Se for fazer, faça bem feito. Mas meu poder de persuasão não é dos melhores e não convenci ninguém... Esse aqui é de cenoura, ainda no forno:


Em casa, rezamos pelo manual do pecado inteirinho. Por isso, além de tudo, colocamos uma cobertura de chocolate que o Álcio faz. O segredo da cobertura é misturar a mesma quantidade de leite e leite condensado. Não use Nescau, mas chocolate em pó, coloque uma colherada de manteiga, puxe um banquinho para perto do fogão e tenha muita paciência. Você vai mexer a cobertura por um tempo que parecerá descomunal, ela vai ferver devagarinho em fogo brando e vai exalar um perfume de chocolate por toda a cozinha. Haverá um momento em que você vai querer desistir e colocar o fogo na chama alta: resista, o universo vai recompensá-lo mais tarde com a cobertura mais lisinha, cremosa e deliciosa. Para inspirar, registro do glorioso momento em que a estamos aplicando: