segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Victoria sponge à minha maneira

A receita saiu direto do livro How to be a domestic goddess da Nigella, mas eu insisto em dizer que é o bolo da rainha...

A massa veio atender meu desejo de fazer um pão-de-ló perfeito. Já havia tentado algumas receitas e posso até dizer que todas deram certo: algumas eram boas, outras realmente ótimas, mas nenhuma era exatamente o que eu esperava. Bem, tudo mudou com ele.

Na primeira vez, usamos medidas normais (uma xícara, colheres rasas etc), o bolo ficou fantástico, mas pequeno. Mais tarde lembrei que tínhamos que usar as medidas tamanho Nigella e a xícara virou uma tigelinha - Uh, lá, lá.


Na bacia da batedeira, coloquei a xicrona de manteiga amolecida (não se assuste, mas chegou perto de 200g) e bati com a mesma medida de açúcar até formar um creme claro: usei açúcar de baunilha preparado em casa e não coloquei o extrato solicitado na receita original.

Separei uma xícara (leia sempre tigelinha, ok?) e 1/3 de farinha de trigo e duas colheres de chá de fermento químico bem misturadinhos. Na massa de manteiga e açúcar, coloquei cinco ovos, um de cada vez. A cada adição, acrescentei uma colher de sopa de farinha e bati mais um tantinho a mistura. Concluído o processo, coloquei o restante da farinha, duas colheres de sopa de maizena e três colheres de sopa de leite, só para amaciar um pouco.

O bolo da rainha pede muitas berries que recheiam o pão-de-ló em formato de torta. Mas resolvi atender minha minha rebeldia e assei a mistura por cerca de 30 minutos numa forma de anel redonda, muito bem untada e enfarinhada. Para enfeitar o miolo, bati uma xícara de creme de leite fresco com três colheres rasas de açúcar de confeiteiro até o ponto de chantilly. Misturei com amoras frescas e servi geladinho.

No dia seguinte fica ainda melhor.

Em tempo: para ter sempre açúcar de baunilha em casa, coloque uma ou duas favas (podem ser encontradas em delicatesses) num pote bem fechado com um quilo de açúcar e deixe alguns dias para aromatizar. Vá repondo o açúcar na medida em que você o utiliza.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Tainha com farofa de sálvia

Nós três gostamos muito de comer um peixinho... infelizmente os preparo com menos frequência do que gostaria - e os posto menos ainda. A desculpa, naturalmente, é minha falta de habilidade para cozinhá-los. Faço duas ou três receitas, em que vou substituindo os ingredientes principais - e mantenho sempre a mesma técnica de cocção.

Num esforço para prepará-los com mais frequência, venho buscando novas espécies e, na medida do possível, tentando variar as receitas. Ainda assim, vez por outra acabo fazendo a versão assada. O arqumento é que é mais saudável, aproveita-se melhor a carne e é muito mais prático. Basta não esquecê-lo no forno para índice de erro ficar bem próximo de zero.


Esta aqui é uma tainha assada. Preparei sem nenhum recheio, do jeitinho mais fácil. Comprei o peixe inteiro e limpo. Em casa, o lavei bem e retirei parte das escamas que ainda sobravam. Lambuzei o bichano com azeite de oliva e temperei por dentro e por fora com sal e pimenta-limão (uma mistura de pimenta branca e preta, com malaguetas e casca de limão seca), que garante um picante-azedo fantástico.

Deixei assando no forno numa assadeira untada por cerca de uma hora, até ficar bem douradinho e crocante. Durante o preparo, reguei a assadeira com um pouco de água para não queimar.

A farofa é feita cobrindo o fundo da panela com óleo vegetal comum. Uso bastante o de canola para não interferir no sabor dos alimentos. Quebrei um ovo e misturei bem, sem medo de deixá-lo boiando no óleo. Agora é hora de temperar com sal e pimenta do reino moída na hora. Despejo, então, a farinha de mandioca e deixo a mistura empelotar. Se secar demais, coloco mais um pouquinho de óleo. As folhas fresquinhas de sálvia foram acrescidas no final.

A farofa também serve para comer com carne e feijão (nesse caso, acrescente um pouquinho de bacon ou linguiça antes de refogar o ovo). Delícia.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Iogurte sem iogurteira

Se você circula por food blogs, deve ter percebido que vários deles andam postando receitas de iogurte. Deixaram-me com vontade não apenas de comê-los, mas de comprar uma iogurteira.

O problema é que minha casa é pequena e minha cozinha já não suporta mais tranqueiras, então resolvi retomar uma receita antiga (da minha irmã) da qual as iogurteiras seguem o princípio básico.

Acenda o forno e deixe aquecer. Nesse meio tempo, esquente um litro de leite (fiz com semi-desnatado) até cerca de 70ºC: ele ficará bem quente, desgradável ao tato se pingado na mão. Não o deixe ferver.

Despeje um copo de iogurte natural na leiteira e misture bem. Tampe e enrole o recipiente com um pano de prato, abafando bastante. Desligue o forno e deixe o preparado lá dentro, quieto por umas oito horas - claro que eu faço antes de ir dormir.


De manhã, você terá um litro de um belíssimo iogurte. Eu gosto de comer puro, com frutas misturadas. Mas você pode bater com mel, aveia, açúcar mascavo ou que mais desejares.

Obs: separe um copo deste mesmo iogurte para preparar novamente.

domingo, 16 de novembro de 2008

Quem não planta para comer? - parte II

Aquela famosa rede de supermercado aqui da região Sul está vendendo (puxa, já faz um tempão) vasinhos com ervas para chás e temperinhos deliciosos. Meu manjericão já ganhou a companhia de um pé de hortelã, uma sálvia e um tomilho.

Embora eu os coma com moderação (sim, eu continuo com pena de arrancar as folinhas), confesso que fazem uma senhora diferença, mesmo em qualquer pratinho de última hora. Para provar, segue aqui a foto do meu talharim com azeite de oliva, sal e tomilho.


Cozinhe o macarrão em água salgada até ficar al dente, despeje no prato de servir, acrescente azeite de olva e folhinhas de tomilho. Se quiseres, rale na hora um queijo parmesão por cima de tudo.

Barriguinha cheia, nenhum trabalho e comidinha gostosa.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Bolo de carne muito fácil

Ele faz bonito e não exige nenhuma habilidade culinária. Se você se sente confortável com uma faca de cozinha (mesmo as de serrinha), já pode prepará-lo e fazer sucesso no almoço informal com a prima-irmã da sua sogra.


Pique três dentes de alho, meia cebola e um tomate em pedaços pequenos. Misture 500g de carne moída, uma linguiça picadinha, 50g de manteiga, dois ovos batidos, sal, pimenta do reino, orégano e uma xícara de farinha de rosca. Use as mãos e misture com vontade.

Unte uma forma com bastante manteiga e, no fundo, coloque alguns tomates em fatias. Despeje a mistura na forma e coloque no forno quente para assar por 40 minutos, ou mais, até ficar douradinho. Desenforme e sirva quente, com arroz e salada.

Se você é daqueles que não suporta comida sem molhos, sirva com um bechamel. Fica delicioso.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Bolo-mousse de tangerina

Enquanto a saboreava, pensava: será um bolo? será uma mousse? Como não estava a fim de controvérsia (ainda mais comigo mesma), apelidei esta sobremesa de bolo-mousse de tangerina.


Inacreditavelmente gostosa, ela exige seis tangerinas daquelas bem azedinhas. Descasque três delas, tire toda a pele, os fiapos brancos (que deixam um gosto amargo depois de cozido) e os caroços. Bata-as no liquidificador e acrescente três gemas de ovos, uma xícara de açúcar, uma colher de sobremesa com fermento químico, uma xícara rasa de farinha (quer precisão? calcule 7/8) e 80 gramas de manteiga.

Bata três claras em neve e, na mesma bacia, misture-as cuidadosamente com o conteúdo acima. Unte uma forma baixa (aqui embaixo tem a foto de uma versão nos meus novíssimos ramequins que ficaram igualmente deliciosas) e coloque para assar no forno médio por uns 40 minutos. A massa deve ficar levemente molhadinha: queremos um palito úmido no final.


Enquanto o bolo-mousse está assando, pegue as três tangerinas que sobraram, descasque e coloque tudo no liquidificador. Dessa vez, não precisa cuidados especiais. Penere todo o bagaço (fiapos e coroços) e guarde apenas o suco.

Numa caneca, misture o suco com meia xícara de açúcar e esquente em fogo baixo até formar uma calda. Não deixe ferver. Despeje esta calda sobre o bolo já assado, mas ainda quente e enformado. Deixe-o absorver todo o líquido. Se achar que está demorando muito, faça furinhos com um garfo para ajudar. Desenforme depois. Coma quente ou gelado.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Churrasco do dia seguinte ou arroz de carreteiro

Churrasco aqui não tem nada de barbecue, assamos a carne no carvão e comemos sem muita frescura, acompanhada por folhas verdes e cerveja gelada. Bem, uma saladinha de batata com maionese também é um clássico. Aqui em casa, fazemos preferencialmente com vazio (fraldinha), maminha, entrecot e salsichão. Pão com alho, cebolas e pimentões assados também são muito bem-vindos.

O churrasco vira sempre várias coisitas gostosas no dia seguinte. Todas as famílias gaúchas tem suas receitas para o reaproveitamento da carne que sobrou: minha madrinha faz croquetes maravilhosos e uma amiga prepara até sopa.

A única unanimidade entre todas as moças e rapazes prendados é o arroz de carreteiro. A receita tradicional pede charque, mas quem se importa? A carne de churrasco, provavelmente, já é muito mais usada para elaborá-lo do que qualquer outra disponível. Vou acrescentar que o resultado é bem similar (senão idêntico) com uma carne bem tostadinha assada no forno.


Espero não ofender nenhum tradicionalista, mas fiz várias alterações na receita e o meu carreteiro é preparado assim: refoque no óleo três dentes de alho, uma cebola picada em quadrados pequenos e um pimentão verde. Acrescente duas xícaras da carne picada (pode misturar mais de um tipo - fica ótimo), se tiver um pedacinho de gordura, tanto melhor: espere ela tostar e liberar um pouco de suco. Agora é hora de colocar uma xícara de arroz comum, tipo cateto, e deixá-lo refogar um pouco na mistura.

Acrescente, então, um tomate picado sem pele e sem semente. Deixe fritar bem e desmanchar um pouco. Em seguida, despeje duas xícaras e meia de água fervente e tampe a panela. Mexa de vez em quando e, no final do cozimento, acrescente um punhado de salsa e cebolinha picada.

O arroz deve ficar molhadinho e bem cozido. Se for preciso, adicione mais água para não secar. Como a carne é assada com sal grosso, este condimento é totalmente dispensável. Mas vale colocar uma boa pitada de pimenta do reino.